Equilibrando

Aceito o tédio, aceito o começo, o meio e sinto o fim dele se aproximar.

Um dia longo que parece interminável e olhar pra tudo com a tinta cinza do tédio, tudo muito boring, tudo muito blah, que chato.

E quando sinto, mesmo que pendendo para a tristeza, me sinto viva e aí identifico que o fim do tédio está presente.

As células se agitando, as cores voltando e o futuro não parece mais tão previsível.

A abertura para o novo, para todas as possibilidades existentes, para o amanhã, para aquilo que está guardado pelo Grande Mistério e que não preciso saber pois é de surpresas e novidades de que se trata a vida e a nossa capacidade de se adaptar à elas.

Sabendo que tudo é impermanente, que tudo é ilusório e passageiro.

E como uma grande peça, composta de diversos atos, vamos seguindo, de uma cena a outra, desempenhando nossos papéis, desenvolvendo meus personagens, reconhecendo meus demônios e anjos.

Acolhendo minha criança ferida, encontrando o que me faz bem, pensando e elaborando dentro do meu ser.

Como não acreditar que somos todo o universo dentro de nós? Como não acreditar que estamos aqui para integrar polaridades, para integrar toda luz e sombra e aceitarmos o que somos. Humanos divinos.

Essa divindade que se desvela na nossa humanidade cotidiana.

É tanto, tanto que cabe em mim. E tanto, tanto que vou lapidando e aprendendo e integrando e aceito, aceito que tem tudo isso. Que vem lembranças e aprendo a canalizar tudo que já ví, tudo que sinto em todo contato.

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Retornando

Retorno ao que me salvou, ao meu refúgio, à minha caverna.

Retorno para me amparar, me encostar e descansar.

Deixar transbordar, tirar o excesso de mim para poder seguir leve. Esvaziar.

Anônima no virtual como na vida cotidiana, sigo em frente deixando pra trás palavras e peso demais.

Pra seguir mais leve.